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  • Shi, 2010

    Lee Chang-dong

    Coreia do Sul

    Por que a escolha?

    A liberdade é alcançada por meio da beleza, dizia Schiller quando tentava unir as dimensões ética e estética da vida humana. Uma tentativa semelhante parece existir em Poesia, o último filme de Lee Chang-dong. Ao dotar sua personagem da intenção – e da capacidade – de buscar e encontrar a beleza no próprio ato de viver uma vida profunda, empática e responsável, Lee Chang-dong procura assimilar a busca estética de uma mulher que deseja começar a escrever poesia à dimensão ética das ações que ela é forçada a tomar.

    Mi-ja, de 64 anos, sofre de demência senil incipiente e cuida de um neto adolescente e desnorteado. Sua intensa exploração da inspiração poética é subitamente rarefeita por um ato trágico e criminoso cometido pelo neto, que participa de um estupro coletivo de uma colega de escola, que se suicida após o ocorrido. Nesse momento a consciência estética de Mi-ja, estimulada na oficina de poesia, cruza-se com sua consciência ética, incitada pelo estupro e pela tentativa de alguns pais de encobrir um dano irreparável ​​com dinheiro.

    Poesia tece com detalhe, paciência e atenção duas tramas que expressam dois caminhos humanos essenciais e acaba unindo-os em um poema e em um filme que são uma exaltação da vida, da poesia e da responsabilidade.

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