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  • Surname Viet Given Name Nam, 1989

    Trinh T. Minh-ha

    Estados Unidos

    Por que a escolha?

    Sobrenome Viet Nome Próprio Nam é o terceiro filme da artista, escritora, cineasta e professora vietnamita Trinh T. Minh-ha. Este é um filme que escapa a qualquer classificação e categorização. Assisti-lo significa reconstruí-lo. Os textos, os sons e as imagens estão intervenidos, cortados, misturados. Cabe a nós recompor seus múltiplos fragmentos audiovisuais. Sem uma estrutura convencional, o mais importante do filme parecem ser as impressões sensíveis e o efeito emocional que ele gera.

    Imagens de arquivo, poemas, canções folclóricas, fotos antigas, textos recitados e escritos, danças, imagens da Guerra do Vietnã e entrevistas com mulheres são alguns dos elementos que compõem Sobrenome Viet Nome Próprio Nam. A narrativa se centra na vivência das mulheres no território vietnamita antes e depois da guerra –suas histórias de vida contam o papel tradicionalmente atribuído a elas por essa cultura– e denuncia a estrutura profundamente patriarcal que as confina a desempenhar apenas tarefas relacionadas ao cuidado e à submissão às figuras masculinas. Elas devem seguir princípios de mansidão, modéstia e fidelidade, e responder a seus maridos, filhos e pais ao longo de suas vidas, deixando de lado autonomia e capacidade de autossuficiência.

    Além dos depoimentos comoventes das mulheres que decidiram quebrar o silêncio imposto pela cultura, a diretora também se apresenta como uma personagem. Sua voz reflexiona sobre o ato de documentar e ressalta que, na seleção e composição de uma história a partir de perguntas, o documentário se relaciona com a ficção. Ela também problematiza o processo de tradução e sugere que traduzir um texto original é, em si mesmo, uma tarefa impossível devido à perda de sentido que pode acarretar e às múltiplas interpretações e significados que surgem no processo. Sua figura junta-se ao coro de mulheres que cantam e narram, configurando o contexto que guia o filme: precariedade, isolamento, falta de informação sobre saúde, abandono institucional, medo de serem estupradas, dificuldades associadas à migração, mercantilização dos seus corpos, desprezo e invisibilização.

    As feridas são múltiplas e transgeracionais. Não existe uma verdade única que ampare a todas, cada uma tem uma história particular, e certamente levará mais de uma geração para cicatrizar as feridas deixadas pela cultura e pela guerra, mas este documentário as visibiliza.

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