3 Women, 1977
Robert Altman
Estados Unidos
Por que a escolha?
A partir de um sonho e da influência do filme Persona de Ingmar Bergman, Robert Altman teve a ideia de criar um filme que abordasse a usurpação da identidade. Tendo como pano de fundo o deserto da Califórnia e estrelado por Shelley Duvall e Sissy Spacek, ele escreveu Três Mulheres.
Desde a primeira cena, o filme nos coloca em um espaço liminar entre o sono e a vigília. A música atonal de Gerald Busby gera uma sensação perturbadora que antecipa a estranheza que caracteriza a trama. Três Mulheres fala sobre reflexos, sobre aquilo que vemos refletido nos outros, nas superfícies e sobre aquilo que os outros nos refletem de nós mesmos. Fala sobre o caráter fluido e flexível da identidade, das aparências e da personalidade. Mergulha no mundo das mulheres dos anos 1970 e apresenta três arquétipos que poderiam delinear uma definição –ainda que mutável e cambiante– da feminilidade na época: o primeiro, representado por Pinky (Spacek), é o da menina inocente e inexperiente que explora o mundo em busca de modelos para construir sua identidade baseada na imitação. Quando conhece Millie (Duvall), entra em contato com o segundo arquétipo, o da mulher jovem, experiente e de mente aberta, que sabe o que está na moda e o que fazer para ser notada. Por meio de Millie, Pinky conhece o terceiro arquétipo, Willie, artista, esposa e futura mãe, que é a personificação da força criativa.
A trama explora esses três arquétipos e sua inter-relação. O papel de cada uma delas não é fixo e, com o desenrolar da história, vemos como esses papéis se alternam e se tornam mais complexos, e qual é o tipo de vínculo entre as três mulheres. Às vezes elas são adolescentes rebeldes, ou mães superprotetoras ou jovens em busca de erotismo. Estas Três Mulheres são mesmo três ou apenas uma?
Ficha técnica
