Hope, 2024
Maria Sødahl
Noruega
Por que a escolha?
Desde Love Story (1970), muitos filmes abordaram a morte de um dos membros de um casal. A notícia, a luta, a aceitação, a dor, o fim. Na narrativa convencional, do ponto de vista de quem morre ou de quem fica, a morte é a responsável pelo fim de uma bela história de amor. Mas Hope, de Maria Sødahl, rompe com essa tradição. Aqui, não se trata de um amor devastado pelo câncer, mas de um relacionamento lânguido, arruinado pela rotina e pela indiferença, que o câncer confronta como um espelho implacável.
Anja e Tomas trabalham em teatro, têm seis filhos, alguns em comum e outros de relacionamentos anteriores. Em plena época das festas de fim de ano, ela recebe o diagnóstico de um câncer de cérebro incurável. A partir desse momento, inicia-se uma radiografia implacável da relação dos dois. A doença e a ameaça iminente de morte expõem o que a rotina, o cansaço, a infidelidade e a indiferença encobrem.
Mas, nas relações afetivas, nada é categórico ou inequívoco, e em Hope, a doença expõe claramente a relação, mas também a cura. Embora o título sugira esperança, o filme não se preocupa em nos mostrar o desfecho, mas em mostrar os sentimentos e fatos que uma notícia tão devastadora desencadeia. Mais catarse do que drama, Hope abre espaço para pensar que uma vida em perigo também pode ser uma vida verdadeira.
Ficha técnica
