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  • Pas de vagues, 2024

    Teddy Lussi-Modeste

    França

    Por que a escolha?

    Em sua "Ode a Cassandra", o poeta francês Pierre de Ronsard pergunta à amada se a tristeza persistente dele a aflige tanto quanto a imagem dela o envenena. E, como um presságio, a leitura e interpretação desse soneto em sala de aula é o gatilho da ruína de Julien, um professor do ensino médio na França, cuja história (a do próprio diretor) é contada por Teddy Lussi-Modeste em O bom professor.

    A dedicação de Julien aos seus alunos é total, mas se provará excessiva. Sabemos bem — pela profusa série de filmes sobre escolas de ensino médio francesas — o nível de exigência e frustração que essa tarefa acarreta. Sua atenção, seu método e seu cuidado especial serão mal interpretados na sala de aula e fora dela. A leitura de Ronsard será o exemplo perfeito de uma tarefa gigantesca destinada ao fracasso. Assim, após usar uma aluna como um exemplo – talvez imprudente – de uma palavra, ele será acusado por ela de assédio.

    Teddy Lussi-Modeste usa essa história para explorar a complexidade dos papéis de vítima e agressor na era do #MeToo. Desde o começo sabemos que a acusação é falsa, por isso o filme se concentra em aprofundar as diversas camadas que envolvem o conflito: o papel rígido e indolente das autoridades, a violência patriarcal encoberta e a crueldade prevalente entre adolescentes e adultos. Mas também, por meio do professor que é ele mesmo, Lussi-Modeste declara sua dignidade e sua força, e nos pergunta, como no soneto de Ronsard, o quanto sua dor nos aflige.

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