Shiva Baby, 2020
Emma Seligman
Estados Unidos / Canadá
Por que a escolha?
Shiva Baby explora a experiência emocional avassaladora de sua protagonista, Danielle, em uma cerimônia da shivá –período de sete dias de luto pela morte de uma pessoa próxima– cheia de obstáculos. Esta comédia de humor negro contemporânea e fresca brilha por sua capacidade de retratar as dificuldades e contradições de uma jovem judia e millennial.
Nessa cerimônia, Danielle se vê cercada de fofocas, julgamentos e preconceitos e tem que lidar com a opinião dos outros sobre seu corpo, ocultar seu trabalho sexual e também sua bissexualidade, além da constante ameaça de ser envergonhada por sua família por estar em uma situação acadêmica e de trabalho incerta. A decisão de ambientar o filme em um único dia e em uma única locação é relevante para fins cinematográficos: amplifica a ansiedade vivida por Danielle mergulhando o público nesse mesmo estado emocional e criando uma sensação de claustrofobia e desconforto que reflete a turbulência interna da protagonista. Por meio do relacionamento de Danielle com seu sugar daddy e com sua ex-namorada Maya, o filme torna a orientação sexual mais complexa e adota uma perspectiva que dialoga com o feminismo ao examinar a dinâmica do poder machista, expondo abertamente vários níveis de hipocrisia religiosa e apresentando uma personagem feminina particularmente autônoma.
Dirigido por uma jovem de 25 anos, Shiva Baby parece ter vindo para enfrentar o estereótipo machista e depreciativo da "princesa judia americana" da década de 1950, tentando somar nuances e matizes a uma personagem que não tem medo de trilhar seu próprio caminho, por mais controverso que seu ambiente possa considerá-lo.
Ficha técnica
