Abiku (Born to Die), 1988
Rotimi Fani-Kayode
Nigéria
Por que a escolha?
“Minha identidade foi construída a partir do meu próprio senso de alteridade, seja cultural, racial ou sexual”, escreveu o fotógrafo Rotimi Fani-Kayode (1955-1989). A fotografia negra, africana e homossexual é sua arma para resistir à violência e molda um trabalho que destaca a política racial, rejeita a homofobia e defende a experiência queer negra.
Nigeriano de nascimento, fugiu com a família para Londres, onde se tornou uma figura importante no cenário da arte visual negra dos anos 1980, na organização "Autograph: Association of Black Photographers", da qual foi cofundador, e na luta contra a homofobia, no auge da crise do HIV/AIDS. Sobre o corpo negro e a partir de sua experiência como outsider – como ele mesmo se definia – em termos geográficos e culturais, Fani-Kayode mostrou a diversidade cultural, racial e sexual, destacando a importância de uma política da diferença. Em suas obras, ele funde a cultura africana e retrata o erotismo, a sexualidade, a espiritualidade, a doença, a solidão e os presságios de morte.
Every Moment Counts II, Bronze Head, In Gods We Trust, Maternal Milk, Untitled, 1988, Four Twins, Umbrella (self-portrait), 1987 e Abiku, são obras em que Fani-Kayode, considerado pioneiro na formação da diáspora cultural negra gay no Reino Unido, rompe com os códigos culturais e artísticos de representação e transgride os discursos heteronormativos, abrindo caminho para uma compreensão mais profunda dos temas de identidade sexual e de gênero das novas gerações de artistas na arte contemporânea. Sua curta carreira é marcada pelo termo Abiku (nascido para morrer), que na mitologia iorubá se refere às crianças que morrem antes de atingir a puberdade. Esse é o título de uma de suas obras, mas também poderia ser o título de sua curta vida.
Ficha técnica
Every Moment Counts II, 1989
