Entre le papier peint et le mur, 2009
Hélène Amouzou
Togo
Por que a escolha?
A condição fluida, dual e expectante de uma mulher migrante poucas vezes foi representada com a precisão e com a aflição dos autorretratos que Hélène Amouzou (1969) faz enquanto espera para obter seu visto de residência na Bélgica. Uma fotografia analógica e um processo de revelação que sujeita o filme a exposições longas e duplas permitem criar imagens em que a sua figura se esfuma, se desvanece e também se bifurca. Quase fantasmagórico, seu corpo está e não está ao mesmo tempo ou está –talvez isso seja o mais preciso quando falamos de uma migrante– em dois lugares ao mesmo tempo.
Edward Said afirma que o exílio contemporâneo difere do exílio antigo porque este último era um castigo que levava a uma ruptura radical com o lugar de origem. Hoje, essa ruptura é impensável. O lugar de origem é não só o lugar para o qual não se pode voltar, como também aquele que não se pode esquecer. Sua presença, sua proximidade fazem com que a pessoa oscile permanentemente entre a possibilidade e a impossibilidade, entre a presença e a ausência.
Esse é o estado físico, o estado mental que Hélène Amouzou mostra em Entre le papier peint et le mur, o livro em que reúne um conjunto de seus autorretratos. Aqui, sua figura etérea é retratada em estreita ligação com sua bagagem. Nesta série, Amouzou associa e funde não só o seu corpo, mas toda a sua vida, com o deslocamento, com o trânsito, com a incerteza e com a espera.
Ficha técnica
