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  • Hábito – Habitante, 1985

    Martha Araújo

    Brasil

    Por que a escolha?

    Na década de 1980, Martha Araújo (1943) criou um conjunto de peças têxteis vestíveis​ que chamou de "objetos performáticos", peças que buscam ser vestidas e experimentadas. Em Hábito/Habitante, Martha usa uma roupa folgada preta que é presa na parede por velcros na parte de trás. Suspensa na parede, a artista realiza vários movimentos, lutas –sutis no começo, bruscas depois– para liberar o vestido de suas amarras, para libertar-se ela mesma dessa sujeição que a impedia de se mover.

    A obra de Martha Araújo desafia o público a passar por essa experiência. A vontade performativa de cada pessoa que mergulha na experiência de vestir os têxteis de Araújo expõe o impulso do corpo para se libertar em um momento de forte carga simbólica.

    Coincidindo com o último ano da mais longa ditadura militar no Brasil (1964-1985), as peças têxteis de Martha Araújo adquirem uma relevância especial: sintetizam o espírito e a necessidade de libertação da sociedade como um todo após quase vinte anos de políticas repressivas e autoritárias. Mas também –apesar de não ter vinculado sua prática artística ao feminismo– Hábito/Habitante a leva a abordar questões relacionadas aos limites do corpo e à autonomia das mulheres. Em um contexto em que as demandas da segunda onda do feminismo centravam-se na sexualidade, no direito ao aborto e no questionamento da família e da subordinação à esfera doméstica, a obra de Araújo expressava as limitações, os obstáculos e os preconceitos que as mulheres tinham – e têm– de superar para conquistar direitos e garantir certas formas de independência.

    Sua obra, como a de muitas outras artistas do mesmo período, contribuiu para uma nova compreensão do corpo, concebido como um campo de batalha no qual são disputados não apenas significados, mas também regras e disposições normativas da sexualidade, de uma forma de se vincular, de se relacionar, de ser. Nessa luta da performer para se livrar das correntes que a prendem, podemos ver também a intenção das mulheres de se libertarem das numerosas demandas que são feitas sobre seus corpos.

    Ficha técnica

    Para um corpo nas suas impossibilidades, 1985

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